Quixeramobim - Seca empurra agricultor para garimpo ilegal

Homem do campo no Sertão Central tem na extração mineral de pedras preciosas uma fonte de subsistência

Fortaleza. A seca que atingiu o Estado desde o ano passado está empurrando o homem do campo para atividades de exploração mineral. Em Quixeramobim, o aumento dos garimpos já chama a atenção da Prefeitura local, que, inclusive, vem sendo solicitada para realizar limpeza de minas.

Garimpeiros pedem à Prefeitura de Quixeramobim a limpeza das minas FOTO: ANDRÉ LIMA


Apesar de não ser um fato inédito, o Departamento Nacional de produção Mineral (DNPM-CE) adverte que a atividade pode estar ocorrendo de forma ilegal, haja vista que não há concessão de licença para exploração de minérios mais em conta no mercado de pedras preciosas ou semi-preciosas.

No Distrito de Berilândia, município de Quixeramobim, existem três Permissões de Lavra Garimpeira para extração de Quartzo (serrote Alto dos Cristais), Turmalina e Quartzo. Na última vistoria realizada por técnico do DNPM-CE, constatou-se apenas a extração de quartzo.

O prefeito de Quixeramobim, Cirilo Pimenta, informou que tem crescido o interesse de agricultores pela exploração mineral, inclusive requerendo o apoio da administração municipal para melhor desempenho da atividade. Dentre esses, destacam a limpeza de resíduos deixados pela queda de barreira, além do restauro da via de acesso.

Intimidação

Berilândia é um distrito com uma população fixa em torno de 5 mil pessoas e uma área estimada em 100 quilômetros quadrados. Embora seja ligado administrativamente ao município de Quixeramobim, as jazidas se estendem ainda pelos municípios de Milhã e Solonópole.

Embora a atividade mineral não seja tão intensa quanto no passado, até mesmo porque houve um processo de exaustão das minas, ainda há um clima de intimidação gerado pelo fechado mundo do garimpo.

Um morador da cidade diz que não ousa ir até o distrito, porque há o risco de não conseguir entrar. "É um lugar tomado pela desconfiança e por homens que vivem do comércio ilegal de gemas", disse.

Além do aspecto ilegal, há em Berilândia uma contemplação imediata de uma terra devastada. Anos seguidos de extração, sendo que boa parte sem acompanhamento técnico necessário, trouxe danos ambientais à localidade, bem como tem-se tornado imprestável para a agricultura.

Alternativa

Para Cirilo Pimenta, não há porque ficar alarmado com a retomada do movimento intenso em Berilândia. Ele diz que não há pessoas de fora, mas sim da própria região, que buscam na mineração uma alternativa de subsistência, por meio de serviços temporários nas minas.

O prefeito garante que promoverá a limpeza, que é paga por hora trabalhada por trator, além do uso de patrol para recuperação das estradas vicinais de acesso ao garimpo.

O superintendente regional do DNPM-CE, Fernando Antônio da Costa Roberto, lembra que as minas sempre atraíam garimpeiros principalmente nos períodos secos. Com isto, o Governo do Estado, na época da Companhia de Mineração do Ceará (Ceminas), apoiou a instalação de uma residência em Berilândia para dar apoio técnico e material aos garimpeiros. A Ceminas foi extinta e a maioria dos garimpos abandonados.

A região ficou conhecida pela extração de quartzo, feldspato, mica, ambligonita e espodumênio (minerais de lítio), berilo (que inspirou o nome do distrito), água marinha, turmalinas, tantalita/columbita, etc. "Acontece que, em Berilândia, a maioria dos pegmatitos explorados, principalmente nas décadas de 1980 e 1990, estão paralisados. Se houver extração de pedras semi-preciosas (gemas: água marinha, turmalinas verde, rósea) são todas ilegais", afirma Fernando.

Divisão

No Estado do Ceará, é conhecida a Subprovíncia Pegmatítica do Ceará(SPCE). A SPCE foi dividida em dois grandes distritos: Solonópole-Quixeramobim, englobando os municípios de Jaguaribe, Solonópole, Quixadá, Quixeramobim e Milhã e de Cristais-Russas englobando os pegmatitos de Cascavel, Aracoiaba, Russas e Morada Nova.

O Distrito Pegmatítico de Solonópole/Quixeramobim (DPSQ), considerado o de maior expressividade econômica, abrange uma área de 2.375 m, constituído essencialmente por uma grande variedade de minerais-gemas (turmalina, água marinha e granada) incluindo quartzo, feldspatos e micas. Outros minerais econômicos são: berilo, ambligonita, tantalita-columbita, lepidolita e espodumênio. "Daí podemos afirmar que o Ceará é detentor de uma importante suprovíncia pegmatítica que precisa de estudos detalhados para avaliação de suas reservas minerais", disse Fernando.

Alvará sai para diferentes segmentos

Fortaleza. Desde novembro de 2011 que somente são publicados alvarás de autorização de pesquisa para substâncias de uso imediato na construção civil e água mineral. Com isso, há pouco aproveitamento do potencial mineral do Estado.

O potencial mineral de Quixeramobim recebeu apoio com escolas de lapidação de pedras preciosas e semi-preciosas, com produção de semijoias FOTO: NEYSLA ROCHA


Se a agricultura é prejudicada pela escassez de água, que não consegue penetrar o subsolo por conta das camadas de pedras, essa mesma pedra tem uma exploração acanhada.

Incremento

"Em Quixeramobim, se cavamos dois metros encontramos pedra. Essa se encontra em toda parte", disse Cirilo Pimenta. O prefeito diz que tem uma atenção especial com a mineração, inclusive já tendo incentivado na gestão passada uma escola de designer para lapidação de pedras preciosas e semi-preciosas.

"Vamos continuar e incrementar esse trabalho. No tocante à exploração, nossa ideia é manter a presença de um geólogo para acompanhar os trabalhos de extração", disse o prefeito de Quixeramobim.

Segundo dados do Anuário Mineral Brasileiro (AMB - 2010), o Estado do Ceará conta com reservas de minerais metálicos (cobre, ferro e manganês) e de minerais não metálicos (areia, areia industrial, argilas comuns, argilas plásticas, argilas refratárias, calcário (rochas), calcita, diatomita, dolomito, filito, fosfato, gipsita, leucita/nefelino-sienito, magnesita, quartzo, rochas (britadas) e cascalho, rochas ornamentais e outras, rochas ornamentais (granito e afins), rochas ornamentais (mármores e afins), sílex e tufo vulcânico) e gemas (pedras semi - preciosas: turmalinas, água marinha). Boa parte desses produtos poderiam influir no Produto Interno Bruto (PIB), mas não é isso que acontece.

O superintendente do DNPM, Fernando Antônio, recomenda que haja mais estudos sobre o potencial mineral do Ceará. O Estado conta com duas unidades industriais de produção de cimento: uma no município de Sobral (região noroeste) e outra em Barbalha (região sul); além de 32 moageiras instaladas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Região Metropolitana de Fortaleza).

A produção de cimento no Ceará, em 2011, foi de 1.765.000 toneladas, apresentando em decréscimo de 5,4% em relação a 2010 (1.863.000 toneladas). Em 2011, somente CE, PB e SE mantiveram a capacidade de atender à sua própria demanda de cimento.

O setor cerâmico se destaca como o produtor principal de telhas e tijolos, gerando cerca de 7.700 empregos diretos, com a capacidade de produção mensal superior a 51.000 milheiros de telhas, 49.000 milheiros de tijolos e de 8.000 milheiros de peças cerâmicas.

O Estado tem um potencial geológico promissor para rochas ornamentais e de revestimento, além de possuir parque industrial na área de beneficiamento, colocando-o como um importante produtor de rochas ornamentais e de revestimento no Brasil, especialmente no que tange a produtos acabados, como chapas e ladrilhos. Atualmente o Brasil se posiciona como o 6º maior produtor.

Produção

Na Região Metropolitana de Fortaleza se concentra a maior parte da mineração de bens minerais de uso imediato na construção civil, destacando-se os municípios de Itaitinga, Caucaia, Pacatuba, Maranguape e Eusébio, na produção de britas britadas.

A produção de areia grossa para abastecimento da indústria da construção civil está localizada em Aquiraz, Caucaia, Pacatuba, Fortaleza, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape e Guaiúba (depósitos associados às bacias dos rios São Gonçalo, Ceará e Pacoti). Já a produção de água mineral, situa-se nos municípios de Fortaleza, Aquiraz, Horizonte e São Gonçalo do Amarante. Para o DNPM-CE, o que não traz benefícios para o Estado é a exploração ilegal ou clandestina.

FIQUE POR DENTRO

Principais projetos do Estado em 2012

Dentre os principais projetos licenciados ou em implantação no ano passado, destacam-se: Projeto Santa Quitéria: mineração de fosfato e urânio - fase de elaboração do EIA/Rima para apreciação do Ibama - sem previsão.

Projeto Platina Pedra Branca - 66 alvarás de autorização de pesquisa (70.000 ha) em andamento.

Projeto Pedra Branca, em andamento; e Pedra Verde, em Viçosa do Ceará para minério de cobre - implantação paralisada.

Projeto de implantação da fábrica de cimento Apodi, no município de Quixeré. A empresa Companhia Industrial Cimento Apodi S/A, instalou no Complexo Portuário do Pecém, uma moageira e já se encontra fabricando o cimento Apodi.

Projeto Ferro Quiterianópolis, que no ano de 2011 foram exportadas para a China 210.000 toneladas de minério de ferro.

Projeto Parambu com pesquisa de minério de cobre em Parambu e Tauá. Está em andamento.

Mais informações:

DNPM (Superintendência)
Rua Dr. José Lourenço, 905 Bairro Meireles
Telefone: (85)3388.1333
www.dnpm.gov.br


Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste

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